IFRS para pequenas e médias empresa

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Para opinar sobre o assunto, o CRC SP Online conversou com o diretor da divisão de Auditoria da Crowe Horwath RCS, José Santiago da Luz, que acredita que esse é um passo importante para o Brasil.

De forma geral, quais as diferenças das regras para as grandes, médias e pequenas empresas?
Se comparadas às exigências do IFRS (International Financial Reporting Standards), são regras mais brandas, dentro da realidade das pequenas e médias empresas, mas que as colocam no caminho do crescimento e da convergência internacional. Essas regras foram estudadas e discutidas pelo IASB durante cinco anos. Muitos princípios do IFRS completo, como, por exemplo, para reconhecimento e mensuração de ativos, passivos, receita e gastos, foram simplificados. Outros pontos importantes para o segmento ficaram de fora e o número de explicações exigidas foi reduzido. Para diminuir ainda mais a carga de apresentação de resultados para empresas de pequeno e médio porte, as revisões ocorrerão apenas a cada três anos.

Por que as pequenas e médias empresas devem se adequar a essas regras?
Um balanço dentro dessas regras valida a transparência da empresa, o que hoje é instrumento importantíssimo na busca de crédito e parceiros. Atualmente, os balanços são apenas fiscais, portanto não mostram a realidade financeira da empresa para o mercado. Com a elaboração de um balanço societário e passando por uma Auditoria, os empresários já vão criando uma cultura de transparência e de governança, o primeiro passo para um crescimento sustentável. Acredito que as pequenas e médias empresas que adotarem essas regras estarão preparadas para, quando crescerem, cumprirem o IFRS na sua totalidade.

Que dificuldades essas empresas poderão ter para iniciar essa convergência?
Trata-se de uma versão bem mais light do IFRS e totalmente plausível dentro da realidade das pequenas e médias empresas. Por isso, acredito que não haverá muita dificuldade. O que pode ocorrer são problemas culturais. Muitas vezes, o pequeno empreendedor não está preparado e não gosta de mostrar todos os números e resultados da sua empresa. Mas esta é uma tendência que já está mudando.

As pequenas e médias empresas brasileiras iniciarão esse trabalho ou isso será ignorado pela grande maioria?
Empresas que têm o objetivo de crescer e se tornarem grandes certamente seguirão. Isso dependerá muito do objetivo de cada empresário. Se a meta é expandir e no futuro abrir o capital, ser vendida, passar por uma fusão, participar de joint ventures ou mesmo receber investimentos private equity, este é o caminho natural. Mas para as que estão contentes com sua situação atual, não há porque aderir.

Podem existir desvantagens?
Não. Muito pelo contrário. Quem se adequar a estas regras, que não são obrigatórias, só tem a ganhar. Atualmente, a Auditoria pode também ajudar essas empresas a ter um controle mais efetivo das suas finanças e na elaboração de um bom business plan. A Auditoria pode ser uma ferramenta estratégica para os negócios, tanto na busca pela transparência financeira, como pela credibilidade. Mais do que detectar fraudes e erros contábeis, a Auditoria fornece ao gestor informações para decidir se ele deseja ampliar os negócios ou não, de onde vem seu lucro e onde ele perde. Tudo isso, sem contar a transparência, que é um grande atrativo para investimentos.